Naves das Cidades

01.06.1997


Há 60 anos, quando o Chrysler Building foi construído, em Nova York, inaugurava-se a era do metal como revestimento de edificações. Ricamente desenhada por William van Alen, a torre de coroamento foi montada com peças pré-fabricadas de aço inox, que lá permanecem como prova da durabilidade dos metais, quando corretamente especificados. Na década de 70 abriu-se novo campo para os revestimentos metálicos com a criação dos painéis de ACM (Aluminum Composite Material), duráveis e leves. Inventado na América do Norte, o sistema passou pela Europa, Austrália, África e Ásia, chegando ao Brasil no final dos anos 80 como signo da internacionalização da economia. Agora, vindo da Europa, o cobre com tratamentos especiais volta ao segmento da construção para também compor fachadas.
Qual o melhor metal para fachadas? Depende da imagem que se pretenda, da poluição atmosférica do lugar e, claro, do orçamento da obra. É o arquiteto, em geral, quem decide sobre a escolha dos materiais de fachada, considerada a área nobre, que "vende" a imagem do edifício. Feita a opção e definidas as formas, entra em cena o engenheiro consultor, que estuda a via-bilidade da proposta arquitetônica e desenvolve o projeto executivo, para orientar o trabalho dos serralheiros e montadores especializados.

ENGENHARIA
O engenheiro Nelson Firmino, da Aluparts, por exemplo, trabalha com grandes nomes da arquitetura brasileira e desenvolve soluções especiais para cada projeto. Como ponto de partida, ele sugere que os projetos sejam desenvolvidos desde o início considerando o tipo de revestimento que se pretenda. Os painéis metálicos são bem mais leves do que as placas de rochas ou de concreto e, assim, é possível economizar nas fundações, na estrutura e na programação dos fechamentos em alvenaria. E mesmo a orientação do prédio em relação aos ventos pode interferir nas possibilidades de desenho. O especialista explica que o sistema de fixação dos painéis depende das pressões do vento, especialmente em prédios altos, que pode alcançar até 200 kgf/m2. Assim, o projeto deve basear-se na norma NBR 6123, que traz um mapa das velocidades de vento nas várias regiões do País. Em São Paulo, a velocidade básica de 40 m/s induz uma pressão mínima de 100 kgf/m2, mas essa pressão poderá variar em função do desenho da fachada.

FIXAÇÃO
Independente dos esforços externos, os esquemas de fixação de todos os sistemas (veja detalhes) baseiam-se em estruturas de perfis metálicos parafusadas à estrutura do prédio. A ligação painel-estrutura pode ser ser feita por encaixe, aparafusamento ou colagem, com fitas dupla face , tipo VHB, da 3M. Os detalhes diferentes em cada sistema ou projeto objetivam melhorar a fixação e, principalmente, garantir a estanqueidade da fachada. Mas Firmino recomenda especial atenção ao desenho da fixação para evitar o contato entre metais diferentes, que provoquem o fenômeno conhecido como corrosão galvânica, ou "efeito pilha", capaz de destruir um dos metais em pouco tempo. Distanciadores, filmes isolantes ou outros sistemas de separação são indispensáveis nesses casos, embora a maior parte dos projetistas prefira especificar apenas um tipo de metal, dos perfis aos rebites de fixação. Na definição do projeto, o técnico considera indispensável a previsão de sistemas de limpeza funcionais e compatíveis com o desenho do prédio: "Um edifício recém-inaugurado em São Paulo já enfrenta problemas de manutenção simplesmente porque o equipamento de limpeza não consegue atingir uma área recuada na fachada", exemplifica Firmino. Manutenção, no caso de fachadas metálicas, significa simplesmente uma lavagem a cada seis meses com detergente, para eliminar fuligem, poeira e outros resíduos, concordam todos os fabricantes. Se não removida, a sujeira pode induzir o surgimento de pontos de degradação da pintura e corrosão. Como as pinturas de carros, barcos e aviões.
O brilho do metal define uma nova paisagem urbana "Curiosidade investigativa"

Carlos Bratke foi um dos primeiros arquitetos brasileiros a utilizar painéis de alumínio ACM, da Alucobond. Foi em 88, no projeto Plaza Centenário, em São Paulo, conhecido popularmente como "Robocop". Tudo aconteceu por "curiosidade investigativa", ao folhear as revistas internacionais, quando descobriu a novidade. Assim, decidiu sugerir ao construtor, que o aprovou. O mesmo Bratke voltou a utilizar esses painéis, agora da Reynobond, na obra do Bolsa de Imóveis (em fase final de construção). Resultado: o projeto constará do portfólio da empresa, como case (exemplo de aplicação) internacio-nal , por seu emprego de forma "criativa e inovadora". Em depoimento a AU, o arquiteto traz algumas conclusões sobre essa experiência: "É um material que foge do vidro, do tijolo e apresenta qualidades de plasticidade superiores às do concreto e da estrutura metálica, sendo facilmente moldável. Além disso, possui características estruturais excelentes, não sendo simplesmente um material de acabamento, como é a cerâmica, como são as massas e o granito. Assim, pode ser aplicado sem armações de ferro ou de alvenaria. Outra vantagem é a rapidez que ele proporciona. Possibilita uma construção muito veloz. Por enquanto, é muito caro, como aconteceu no passado, por exemplo, com o protendido, a pastilha etc., pois qualquer material novo exige um know-how especial. Atualmente, o custo do m2 aplicado está em torno de R$ 300,00 mas, dependendo da racionalização da obra, pode chegar a R$ 80,00. O que mais me atraiu, inicialmente, foi a plastici-dade que o material oferece na modulação ou paginação das fachadas, que antigamente costumava fazer com massa raspada por necessidade construtiva". Alpolic Painéis de ACM (Aluminum Composite Material), produzidos pela Mitsubishi Chemical Composição dos painéis: sanduíche composto de duas chapas de alumínio, com núcleo de polietileno; revestimento constituído de primer, pintura Lumiflon, verniz e filme de proteção contra radiação UV Dimensões dos painéis (mm): 1.270 x 2.489, 1.270 x 3.099, 1.575 x 2489 e 1.575 x 3.099 Espessuras: 3 mm, 4 mm e 6 mm Peso (kg/m2): 4,57 a 7,36 Tipos de acabamento: Anodizado: nas cores prateada, bronze claro e bronze escuro, todas espelhadas Pintado: pinturas poliéster, uretano e fluorocarbono Padrão em rochas: reprodução fotográfica de vários tipos de granito e mármore Pré-formulado: pintura em cores desenvolvidas especialmente para o cliente Aço inox: sanduíche com uma face em aço inoxidável Normas: ASTM Preço médio: R$ 70,00 a 75,00/m2. Custo médio aplicado: R$ 150,00 a 230,00/m2 Representantes: Alumínio Belmetal (011) 824-2411; Perfil (051) 343-7911

Alucobond
Painéis de ACM (Aluminum Composite Material), produzidos pela Alucobond Technologies Composição dos painéis: sanduíche composto de duas chapas de alumínio (0,5 mm), com núcleo de polietileno (3 mm) Dimensões padrão (mm): 1. 500 x 5 mil Espessuras: 4 mm Peso: 5,46kg/m2 Tipos de acabamento: pintura em fluorcarbono (aprox. 70% Kynar 500) Normas: ASTM Preço médio: R$ 80,00/m2 Representantes: não tem distribuidor no Brasil. Contatos com o fabricante, nos EUA, pelo fax 1 (502) 527-1552

Alucomat
Painéis de ACM (Aluminum Composite Material) produzidos pela empresa chinesa Jyi Shyang Composição dos painéis: sanduíche de duas chapas de alumínio com espessura de 0,5 mm preenchido com uma camada de polietileno aditivado; pintura à base de fluorocarbono (Kynar 500) Dimensões dos painéis (mm): 1.220 x 2.440 Espessuras: 3 mm, 4 mm e 6 mm Peso: 5,6 kg/m2 (painel de 4 mm) Tipos de acabamento: pinturas em cores opacas, metalizadas e espelhadas, imitação de texturas de pedra e madeira Normas: ASTM e BS Preço médio: R$ 75,00/m2 Representante: Alucomat do Brasil (011) 492-3415.

Reynobond
Painéis de ACM (Aluminum Composite Mate-rial) produzidos pela Reynolds Metal Company Composição dos painéis: sanduíche de duas chapas de alumínio com espessura de 0,5 mm, unidas por uma camada de polietileno de baixa densidade; pintura à base de fluorocarbono (Kynar 500), com várias possibilidades de combinação de camada Dimensões dos painéis (mm): 1.295 x 4.877, 1.575 x 4.877, 1.067 x 4.877 e 1.250 x 4.877 Espessuras: 3 mm, 4 mm, 5 mm e 6 mm, além do tipo resistente a fogo, com 5 mm Peso (kg/m2): 4,58 a 7,37 Tipos de acabamento: pinturas em cores opacas e metalizadas: prateado, champanhe e cobreado Normas: ASTM e DIN Preço: a partir de R$ 69,00/m2 Representante: Alcoa Alumínio (011) 3741-4974 / 3741-3384.

Walcap
Painéis de alumínio produzidos pela Alcan na Europa Composição dos painéis: chapas de liga alumínio-magnésio (liga 5754, com têmpera H-42), com acabamento pintado pelo processo "coil coating" Dimensões dos painéis (mm) Larguras: 1.250 e 1.500. Comprimentos: 3 mil e 5 mil. Espessura: 2 mm Peso: 5,40 kg/m2 Tipos de acabamento: branco puro e cores metalizadas: prateado e champanhe e cobreado Normas: UNI, Afnor, BS, DIN e UNE Preço: R$ 67,00/m2, em média Representante: Alcan Alumínio do Brasil (011) 5503-0807

Cobre
Chapas de cobre patinado ou protegidas quimicamente, produzidas pela KME na Alemanha Composição: chapas de cobre lami-nado, com tratamento químico-mecânico para acelerar a formação da pátina; chapas de cobre tratadas para fixação da cor natural do metal Dimensões dos painéis (mm): 3 mil x 1.200 Espessura (mm): 0,7 a 1,20 Peso:6,2 kg/m2 Tipos de acabamento: patinado em cor verde ou na cor natural do cobre Normas: DIN e BS Preço médio: R$ 85,00/m2 Representante: Eximax Brasil (011) 531-2677

Aço Inox
Chapas e tubos de aço inoxidável produzidos no Brasil pela Acesita Aços Especiais Composição: aço 430 (cromo) para áreas suburbanas ou rurais, sem poluição; aço 304 (cromo+níquel), adequado para aplicações em grandes cidades; e aço 316 (cromo+níquel+molibdênio), indicado para áreas extremamente agressivas ou poluídas, como regiões marinhas, proximidades de indústrias químicas etc. Tipos de acabamento: polido e escovado Normas: ABNT e ASTM Preço médio: depende do material, forma de aplicação e tipo de aço Representante: Acesita (031) 235-4200; (011) 818-1700 e (051) 226-4422

Telefones úteis: Afeal (011) 221-7144; Aluparts (011) 813-5208; IPT (011) 268-2211; L.A. Falcão Bauer (011) 861-0833, Asbea (011) 822-2982

Normas para painéis colados

Apesar do uso intenso dos vidros e painéis metálicos fixados por cola, não existem normas nacionais sobre o assunto. Assim, os consultores da área precisam recorrer às normas ASTM C1184 e IRAM 11980 quando trabalham em projetos com painéis colados. Agora, um grupo de trabalho coordenado pela Afeal (Associação Nacional dos Fabricantes de Esquadrias de Alumínio) está preparando um texto básico de norma sobre painéis colados, envolvendo esquadrias, silicone de vedação e fitas adesivas. Participam da ini-ciativa entidades como o IPT, Falcão Bauer, Sinduscon-SP e Asbea, além das empresas fabricantes de materiais. Interessados em participar podem consultar a Afeal. JOSÉ WOLF e MARCOS DE SOUSA

 

Retirado de:

http://www.piniweb.com.br/construcao/noticias/naves-da-cidade-84749-1.asp


Data de Publicação:

13/06/2013 ás 14:30

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