Edifício Quadra Hungria

12.04.2006


PILARES E VIGAS APARENTES

Vigas de transição, com aberturas que abrigam caixilhos circulares, e pilares aparentes, envolvidos por vidros curvos, no lado interno do edifício, são elementos estruturais organizados com engenhosidade para otimizar a área livre das lajes e definir a estética da fachada.

Voltado para a avenida marginal do Pinheiros e implantado na rua que faz parte de seu nome, o edifício Quadra Hungria tem testada de quarteirão. A construção horizontalizada atende à legislação de uso e ocupação do solo para aquela zona da cidade, e forma uma barreira acústica para as casas vizinhas, na região dos Jardins. Trata-se de edificação com dispositivos tecnologicamente avançados, locada recentemente para uma única instituição financeira - o Banco Santander. São oito pavimentos-tipo e três subsolos - totalizando 19.945,73 metros quadrados de área construída -, dois helipontos com sala vip e cinco elevadores.

Uma das preocupações do arquiteto Miguel Juliano foi a concepção de um projeto que desse tratamento semelhante para as fachadas frontal (avistada da marginal) e posterior (voltada para os Jardins). Quase idênticas, as duas têm, respectivamente, 12 e 14 pilares circulares aparentes, soltos do pano de vidro. A diferença nesse número se deve à existência de uma parede curva na face frontal, que externamente transmite a idéia de um cilindro no centro do edifício.

Dispostos a cada quatro metros, os pilares foram revestidos com painéis de alumínio composto na cor azul, também aplicados na parede curvilínea. No lado interno da edificação, eles estão envolvidos por vidros curvos, no formato de meia esfera. As laterais do edifício receberam caixilhos entre vãos e as frentes de laje foram revestidas com granito. Após a locação, a parede curva e os pilares ganharam película de alta performance, na cor prata.

Mesmo com a altura limitada por lei (35 metros), o Quadra Hungria tem pavimentos com pés-direitos generosos, de 3,57 metros de piso a piso. Moduláveis, as lajes possuem 1.400 metros quadrados cada uma. Espaços de circulação, banheiros e elevadores estão localizados na área central, próximo da parede curva.

Vigas de transição
Na construção foram utilizadas vigas de transição de concreto, que, associadas aos pilares periféricos, distribuem as cargas do edifício. São duas vigas vierendel, uma frontal e outra posterior, colocadas no segundo pavimento. Segundo o engenheiro Gabriel Junqueira Filho, da Constrac, empresa responsável pela obra, elas têm aberturas que, do ponto de vista estrutural, aliviam as tensões do edifício, enquanto os pilares periféricos fazem o mesmo com a carga de cada andar-tipo. Dos pilares periféricos, as cargas são distribuídas para a viga vierendel. Esta, por sua vez, distribui o peso para os quatro pilares do térreo, onde essa solução permitiu criar amplos vãos livres.

O projeto de arquitetura tirou partido das aberturas das vigas, transformandoas em vãos circulares, nos quais foram colocados caixilhos pivotantes e fixos, que promovem a entrada de luz no interior do andar. Segundo o engenheiro Dario Ryoiti Hattori, coordenador de obra da Constrac, com a adoção da viga vierendel foi possível instalar 15 caixilhos em cada fachada, no formato de círculos concêntricos - elementos de 1,20 metro de diâmetro dentro de um círculo maior, com diâmetro de 2,70 metros. Em cada face há seis folhas móveis pivotantes centrais de 1,20 metro de diâmetro; as demais são fixas.

O dimensionamento, contemplando o projeto de execução de perfis, vedações e comandos, foi desenvolvido pelo departamento técnico da Itefal, em conjunto com o escritório AC&D. Tanto nos caixilhos fixos como nos móveis, os vidros foram colados com silicone structural glazing em perfis de alumínio curvos. Os caixilhos estão instalados num recuo de 60 centímetros em relação à fachada, revestido com placas de granito circulares, fixadas com inserts metálicos.

Vidros curvos
Enquanto os pilares aparentes definem a verticalidade das fachadas, duas faixas de granito, entre o quarto e o sexto andares, estabelecem as linhas horizontais. Essa marcação forma uma espécie de moldura para os módulos envidraçados, com pé-direito de 2,36 metros, divididos em três quadros de vidros com 1,10 metro de largura cada um. Um deles possui dois caixilhos - um fixo, inferior, com 1,10 metro de altura, e um maxim-ar, superior, com 1,26 metro.

Segundo o engenheiro Nelson Firmino, consultor de fachadas da Aluparts, foram utilizados vidros de dez milímetros. De frente para a marginal do Pinheiros - que registra diariamente trânsito pesado de veículos -, o projeto teve como uma de suas preocupações o desempenho acústico. Firmino desenvolveu estudo para identificar o ruído na região, que passa de 70 decibéis. “O vidro especificado chega a atenuar 35 decibéis do barulho provocado pelo tráfego constante na marginal e na rua Hungria”, garante ele.

A Glassec forneceu para a obra cerca de 3.020 metros quadrados de vidros laminados refletivos azul Lite e 440 metros quadrados de laminados bronze curvos. As dimensões e a resistência admitiam peças de oito milímetros, mas a adoção da espessura de dez milímetros em todos os vidros, para vãos maiores e menores, evita diferenças de tonalidade e gera uniformidade, explica Firmino. Os vidros foram colados com silicone structural glazing em perfis de alumínio com acabamento anodizado fosco.

Para o caixilho do vidro curvo foi utilizado um perfil no mesmo formato, fixado através de cantoneiras de alumínio, com parafusos de aço inoxidável, nos perfis verticais dos caixilhos da face reta. Estes, por sua vez, estão ancorados na estrutura de concreto do edifício. Os caixilhos semicirculares, que cobrem os pilares, possuem raio de 40 centímetros e 80 centímetros de largura. Segundo Firmino, procurou-se um raio que não trouxesse complicação para a curvatura do vidro e do perfil, que vence vão de 2,36 metros de altura. Na transição do vidro curvo para o reto, a vedação é feita com silicone de cura neutra.

As fachadas foram executadas pela Itefal com o sistema stick, com perfis da linha Cittá Due, e módulos Unit. O stick, aplicado nas faces frontal e posterior, moduladas com painéis de 1,25 metro de largura e sete metros de altura, caracteriza-se pela construção em três fases distintas: ancoragens, malha estrutural composta por colunas e travessas, e fixação frontal dos quadros de vidro. No sistema unitizado, as fachadas laterais, moduladas com a mesma largura e altura de 3,50 metros, foram montadas através de guias, ancoragens horizontais e painéis únicos de alumínio e vidro, que, unidos entre si, formam o conjunto estrutural do sistema.

Os perfis foram dimensionados para atender às cargas solicitadas em projeto. No sistema stick, as colunas possuem 90 milímetros de profundidade; no unitizado, a profundidade dos montantes é de 120 milímetros, explica José Sabioni, diretor da Itefal. A obra utilizou cerca de 35 toneladas de alumínio, cinco delas destinadas à subestrutura de fixação do painel de alumínio.

Texto resumido a partir de reportagem de Gilmara Gelinski Publicada originalmente em FINESTRA Edição 44 Janeiro de 2006








Retirado de:

http://www.arcoweb.com.br/tecnologia/miguel-juliano-edificio-quadra-12-04-2006.html

Data de Publicação:

13/06/2013 ás 15:22 Voltar
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